O meio jogo


Estamos em uma viagem ao contrário.

Isso não é por acaso. A forma correta de aprender a jogar dama é nesta sequência: final de jogo, meio-jogo e abertura.

Não por acaso, nos tempos áureos da extinta União Soviética, a dama era ensinada nesta sequência. Aquele que quer ser um jogador com bastante visão de jogo, estude final. Aquele que estudar meio-jogo, se tornará um jogador tático e dará nó em pingo d'agua. Aquele que estudar abertura, terá o conhecimento teórico e esmagará seus adversários já no início de jogo.

Creio que o jogador deve ser o mais completo possível. Não adiantaria passar por uma boa abertura deixando seu adversário desconfortável, não adiantaria envolver seu adversário no meio-jogo com táticas mirabolantes, se no final coloca-se tudo a perder.

Todas as etapas no jogo de damas tem sua importância, assim como o conhecimento da maneira que cada adversário posiciona suas peças no tabuleiro. É por isso que temos mais facilidades de jogar com uns e mais dificuldades com outros no momento do jogo. Isso é como uma assinatura posicional que acompanham damistas até sua morte.

É necessário que o amigo esteja pronto agora para entender e praticar as anotações numérioco-algébricas. Por isso não animaremos os tabuleiros apresentados a partir desta seção e usaremos as anotações padrões do tabuleiro de 100 casas acompanhado das figuras em posições chaves.

A grande maestria no jogo de damas confronta com fixação de peças em casas que evitem golpes, contra-golpes e perda de iniciativa de jogo. Interessante notar que um damista acostumado a treinar sua memória fotográfica pode, em posições complexas, aparentar movimentos pacíficos com suas peças que não fazem sentido aos olhos de um leigo. Entretanto usam esses movimentos para formar posições, muitas vezes de ganho, apenas mantendo peças em algumas diagonais.

O bom damista sabe que o tempo nunca muda e que as posições sempre se repetem.

Vamos mostrar isto na prática.

continua...